segunda-feira, 15 de agosto de 2011

PARCEIROS DA MADRUGADA


PARCEIROS DA MADRUGADA
                                                          (Letra/Música: Alessandro Gonçalves)
Cobertores de jornais
Arco-íris de concreto
Campeando em pouco de paz
Guerreando em busca de um teto.

A inocência se fez dor
Na infância do seu olhar
Procurando um resto de amor
De quem nunca soube amar.

Veja homem este piá
Que apenas implora um pão
Te pedindo quase nada
Só um pouco de atenção
Pra quem só tem solidão.

Seu nome só é lembrado
Quando a justiça lhe acusa
Filho sem lar e sem pátria
Fruto que a terra recusa.

Quando a madrugada finda
E outro dia vem igual
Vai cumprir a sua sina
De mendigo ou marginal.

* Música do CD ESSÊNCIA - Lançamento - nov/2011;

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Vencedora da 21a GUYANUBA


OLHANDO A CURVA DA ESTRADA
(Letra: Martim César / Música: Alessandro Gonçalves)
                                           
Quando saiu nesse dia
Prometeu que voltaria
Sem saber como nem quando
Ainda era um menino
E ia atrás desse destino
Que estava lhe esperando

Deixava atrás, na distância
A casa pobre da infância
Onde moravam os seus
Do pai levava os conselhos
Da mãe, os olhos vermelhos
E uma lágrima de adeus

Quando saiu nesse dia
Decerto que não sabia
Que o tempo passa ligeiro...
Quando se tem vinte anos
A vida é feito o oceano
Aos olhos do aventureiro

O mundo, então, se fez cargo
Lhe mostrando o lado amargo
Que a ilusão não mostrou
E os anos foram passando...
Sem saber como nem quando
Seu sonho se transformou

E hoje... aquele menino
Que foi buscar seu destino
Na distância, envelheceu
E olhando a curva da estrada
Brota em suas vistas cansadas
Uma lágrima de adeus
Int.: Robledo Martins (Melhor Intérprete)
Arranjo: Éverson Maré
Músicos: Alessandro Gonçalves, Éverson Maré, Carlos de Césaro,
               Nilton Jr. e Clarissa Ferreira.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

SENHOR DOS CAMPOS NEUTRAIS


SENHOR DOS CAMPOS NEUTRAIS
                                               (Letra/Música: Alessandro Gonçalves)

Nascido nestas fronteiras,
criado na Banda Oriental
filho de Chico Saraiva
farrapo e homem rural.

Trazia Saraiva no nome,
Na alma a senda guerreira
Homem retrato de um tempo,
De lanças e montoneiras.

Uns dizem: - era bandido!
Outros: - a lei e a razão!
Pra os inimigos a adaga
Em cada amigo um irmão.

Gumercindo Saraiva, caudilho, patrão!
Gumercindo Saraiva, bandido ou não!
Uns não conhecem, outros esquecem o que ele fez!
Tempo distante, guerra de sangue em noventa e três.

Gumercindo Saraiva, herói deste chão!
Gumercindo Saraiva, bandido ou não!
Tempo de glórias, tantas degolas, mundo sem lei.
Fronteiras incertas, terras desertas, Gumercindo era rei.

Semeou de sonhos os homens
De sangue e fogo, as planuras.
Senhor dos campos neutrais
Caudilho de mil bravuras.

Lenço branco sempre ao peito
Lendário homem do campo
Pra os pica-paus: um bandido
Pra os maragatos: um santo.

Dizem que nas noites de lua cheia
lá pras bandas de "Curral de Arroyos 
vagueia pelos campos em seu flete negro
talvez buscando ainda
seus antigos e perdidos sonhos.”
                                                                                     Ritmo: Zamba-Carpera
 
* Música que participou da 12a Jerra da Canção - Santa Vitória do Palmar - 2011





sexta-feira, 15 de julho de 2011

TEUS OLHOS NO CAIS


TEUS OLHOS NO CAIS
                                            (Letra/Música: Alessandro Gonçalves)

Teus olhos...morena
são como as estrelas
que brilham na noite
e ancoram em meu cais.
A vida lá fora
nos cobra por hora
num barco que parte
para, talvez, nunca mais.

Teus olhos...um rio
de alguém que partiu
na cena do adeus
um poema no olhar.
São sonhos e medos
tamanhos segredos
relógios que o tempo
não consegue parar.

Feito um barco que se vai
Num até breve ou nunca mais
Teus olhos...morena....ficaram
Para sempre junto ao cais.

Teus olhos...a luz
De quem me seduz
Como o sol da manhã
Num raiar de verão.
Depois a viagem
Pra sempre a saudade
Que assim fez nascer
Essa nossa canção.

                                                    Ritmo: Canção

quinta-feira, 14 de julho de 2011

COSTEANDO UM RIO DE FRONTEIRA


COSTEANDO UM RIO DE FRONTEIRA
(Letra: Martim César / Música: Alessandro Gonçalves)
Apeei junto às barrancas
Bombeando as águas do rio
Entre Uruguay e Brasil...
Meu rio!
Ainda está a velha estância
E os campos que foram meus
Só quem se foi na distância
No fundo... fui mesmo eu.

Percorro léguas de tempo
Beirando o Passo da Armada
Ali na volta da estrada
Bem antes do Sarandi
Onde um carreiro de ovelhas
No rumo sul da picada
Em sua terra ainda guarda
Os meus rastros de guri

É o mesmo rio de fronteira
com seus remansos e aguadas
com coronilhas ladeadas
Pela passagem das tropas
Em madrugadas sem fim...

É o mesmo rio que em seu leito
Sabe a razão por que eu vim
E não entende, por certo,
Como se fez um deserto
Do rio que eu já tive em mim

É o mesmo rio de fronteira
Que, hoje, ao me ver aqui
Não vê - talvez, por eterno -
Que em tantas secas de inverno
Meu parceiro... envelheci!!!

                                                                                            Ritmo: Chamamé

* Música classificada para Coxilha Nativista de Cruz Alta - (29 e 30/07/2011)

quarta-feira, 13 de julho de 2011

EXÍLIOS DA VIDA


EXÍLIOS DA VIDA
                                                             (Letra/Música: Alessandro Gonçalves)
Quando adentra a saudade
na solidão do apartamento
Lembrança reponta o tempo
enquanto cevo meu mate.

Nos arpejos do violão
uma milonga me soa triste
calando o silêncio que insiste
em pealar meu coração.

Me lembro da despedida
- Nublada tarde de agosto -
Da mãe, a chuva no rosto
Do pai, o adeus da partida.

Nestes exílios da vida
Changueando dias melhores
Por entre mates e acordes
Vou semeando nostalgias

Quem deixou sua querência
pensando ainda em voltar
sabe que nesse estradear
a volta é quase uma ausência.

Quando o destino teimar
E a vida domar o tempo
ao menos em pensamento
um dia hei de voltar.

                                                                                                Ritmo: Milonga

* Música que participou do 2º EXPOCANTO de Arroio Grande em 2010.

terça-feira, 12 de julho de 2011

DELÍRIOS TINTOS



DELÍRIOS TINTOS 
                                Letra/Música: Alessandro Gonçalves


Um vinho tinto sobre a mesa
Duas taças vazias
O violão e lareira
E um tom de poesia.

Uma cena sem igual
Um poema delirante
Paralelas no infinito
E o eterno num instante.

Mas que vida mais estranha!
Que se passa com a gente?
Uma história que é tamanha
E se acaba de repente.

O quadro verte à parede,
O livro sangra suas páginas,
O vinho beija teu corpo
E a canção abre suas asas.

Nesta vida de viagens
O destino nos faz carona
Talvez não seja nosso rumo
Mas não temos mais escolha.

                                                                         Ritmo: Canção

Obs.: Música que faz parte do repertório do show "Caminhos de Si".